Arrependimento e Reparação
Inevitavelmente vamos causar dor e sofrimento para pessoas ao nosso redor, quer individualmente, quer coletivamente. Por vaidade, covardia, medo, insegurança, omissão, sobrevivência, ou até mesmo por pura maldade e prazer, vamos ofender, magoar e ferir nosso próximo. Essa dor causada não desaparece com um mero pedido de desculpas. É necessário real arrependimento que conduz a reparação. Maimonides, um famoso rabino da Idade Média, nos apresenta cinco passos básicos para que nosso arrependimento produza reparação do mal que causamos, voluntária ou involuntariamente. A teshuvah, arrependimento em hebraico, é como a técnica japonesa do kintsugi: o que foi quebrado não volta a ser como antes, mas pode ser uma obra de arte.
Todos nós queremos um novo começo, uma nova chance, todos nós queremos expiação. Contudo, uma confissão emocionada não é o bastante quando causamos dano a outra pessoa. A justiça de Deus repara o mal que existe no mundo espalhando vida. Como seus seguidores é esperado o mesmo de nós: vida, luz no mundo. O fato de Deus nos perdoar não substitui o acerto de contas que devemos ter com o nosso irmão. Existem passos de reparação que precisamos fazer. Nenhum discurso deve ser ouvido ou desculpa dada antes que exista uma mudança de atitude. O caminho do reino de Deus é uma jornada que promove transformação.
Texto base: Levítico 16:11-16 e Lucas 18:9-17
Quando machucamos alguém, temos a tendencia de achar que por termos nos arrependido e buscado reparar o mal que causamos, merecemos o perdão. É necessário, no entanto, entender que arrependimento e reparação estão ligados ao processo que o algoz, o perpetrador da violência, precisa passar para ser transformado. O perdão, por sua vez, é o processo que a vítima precisa passar para curar suas feridas. Arrepender-se liberta o agressor da sua agressão. Perdoar liberta a vítima da prisão da dor. Essa liberdade só encontramos naquele que pode transformar tanto um, quanto outro: Jesus.
Texto base: Mateus 6:9-15
A reflexão sobre Mateus 5:48 e a busca pela perfeição destaca os desafios que essa busca impõe em níveis individuais e coletivos. No âmbito pessoal, a pressão para ser perfeito pode levar ao isolamento, pois as pessoas tendem a esconder suas vulnerabilidades e a criar uma imagem idealizada de si mesmas, o que impede conexões genuínas. Coletivamente, essa busca por padrões inatingíveis gera divisões e preconceitos, promovendo a ideia de hierarquias entre indivíduos e grupos, o que pode culminar em consequências graves, como estigmatização e até violência.
Espiritualmente, a busca pela perfeição pode distorcer a concepção de Deus, levando a uma teologia que enfatiza comportamentos em vez de relações autênticas. Essa abordagem pode fazer com que as pessoas sintam que precisam viver de acordo com expectativas impossíveis, esquecendo que a imperfeição é parte da condição humana. Ao nos esforçarmos para mostrar uma versão perfeita de nós mesmos, perdemos a chance de ser autênticos e de compartilhar nossas verdadeiras experiências, talentos e imperfeições, que são o que realmente nos conecta e nos torna humanos. A verdadeira beleza da vida está na aceitação de nossa falibilidade e na celebração da diversidade de experiências que todos nós trazemos.
Texto base: Mateus 5:48
Resumo: Nosso trabalho, como seres humanos e, principalmente como seguidores do Messias, é nos tornarmos diferentes, sermos melhores. Isso envolve arrependimento e reparação, e não apenas em nível pessoal e público, implica também a esfera institucional. Seja num hospital ou num banco, numa escola, num local de culto, numa startup tecnológica, numa organização sem fins lucrativos ou em qualquer outra instituição, a obra de arrependimento permanece a mesma. A forma como poderá ser executada, quem deve ser cuidadosamente envolvido, como e quando a transformação será completa, enfim, a jornada pode ser totalmente diferente de instituição para instituição, mas os princípios orientadores devem permanecer os mesmos. O que é preciso encontrar é a vontade e a coragem para seguir em frente.
Texto base: Jeremias 3:19-25
Uma maneira de promover vida abundante (João 10:10) é criar espaços onde todas as pessoas se sintam seguras. Um espaço onde um grupo de pessoas não se sente seguro, nenhum grupo de pessoas estará seguro. Muitas vezes isso significa reconhecer meus próprios erros e fazer o necessário para reparar danos já causados. No âmbito pessoal podemos trabalhar juntos para diminuir o preconceito e estigma nas nossas rodas de conversa e no nosso dia a dia. E ao tratar com instituições não precisamos de ter medo de nos posicionarmos quando pessoas estão sendo maltratadas e desrespeitadas, ainda que essas instituições forem denominações religiosas.
Texto base: João 10:10
A oração do Pai Nosso é universalmente conhecida como o modelo das ênfases
primordiais da espiritualidade do Reino, conforme ensinado por Jesus. Ela é o centro estrutural do
Sermão da Montanha, onde Jesus explica a Torah aos seus seguidores. Nela somos irmanados
como filhos do mesmo Pai, nas necessidades materiais, mas também na constatação das dívidas e
das ofensas como marca presente nos relacionamentos humanos. A oração apresenta um pedido de reconciliação com Deus e com os homens. Esse tema de reconciliação e perdão ecoa em todo
sermão proferido por Jesus. Os cinco passos de Maimônides para realizar uma reparação no caso
de ofensas cometidas contra outros, unidos a uma reflexão sobre a oração do Pai Nosso no contexto do sermão do monte nos possibilita encontrar um caminho prático de como nos reconciliarmos com aqueles com quem temos que fazer reparações.
Texto base: Mateus 6:9-15
Inevitavelmente vamos causar dor e sofrimento para pessoas ao nosso redor, quer individualmente, quer coletivamente. Por vaidade, covardia, medo, insegurança, omissão, sobrevivência, ou até mesmo por pura maldade e prazer, vamos ofender, magoar e ferir nosso próximo. Essa dor causada não desaparece com um mero pedido de desculpas. É necessário real arrependimento que conduz a reparação. Maimonides, um famoso rabino da Idade Média, nos apresenta cinco passos básicos para que nosso arrependimento produza reparação do mal que causamos, voluntária ou involuntariamente. A teshuvah, arrependimento em hebraico, é como a técnica japonesa do kintsugi: o que foi quebrado não volta a ser como antes, mas pode ser uma obra de arte.
Texto base: Lucas 19:1-9; Levítico 16
